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terça-feira, 28 de dezembro de 2010

O catalogo Lacaille - III- estrelas com nebulosidade.

O Nuncius Australis, em sua serie devotada à realização da maratona Lacaille prevista para o final do verão apresenta agora a 3ª parte do Catalogo Lacaille. O caminho das pedras para observar o terceiro grupo do catalogo. Os dois primeiros grupos e todos os mapas e dicas podem ser encontrados respectivamente em:

I – Nébula sem estrelas. – O catalogo Lacaille- http://nunciusaustralis.blogspot.com/2010/04/o-catalogo-lacaille.html

O Catalogo Lacaille – cont.

http://nunciusaustralis.blogspot.com/2010/04/catalogo-lacaille-cont.html

II- -Aglomerados estelares nebulosos.

http://nunciusaustralis.blogspot.com/2010/09/o-catalogo-lacaille-segunda-parte-lacii.html



A Terceira categoria do catálogo, elaborado pelo abade durante o sec. XVIII compreende as Estrelas acompanhadas de Nébula. Só serão listados os objetos Lacaille realmente identificados a objetos de céu profundo. Os objetos de identificação duvidosa não são discutidos ou apresentados neste post.  O melhor horário para observação durante a maratona está disponível em:

http://nunciusaustralis.blogspot.com/2010/12/maratona-lacaille.html

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Vamos ao que interessa.


Lac III 2 – (Ngc 2477) Junto a Naos (Zeta Puppis) é facilmente localizado. Interessante aglomerado aberto. Mag. 5.80 Dim. 27´x27´. (O Mapa apresentado como No final de dezembro as 05h00min UT.).




Lac III 4 –(IC 2488) Localizado em vela este aglomerado galáctico se localiza dentro do asterismo do Falso Cruzeiro. Mag. 7.4 Dimensão 12´x 12´ Lacaille o descreve como uma fraca estrela rodeada de Nebulosidade. . (O Mapa apresentado como No final de dezembro as 05h00min UT.).





Lac III 6- (Ngc 3372) – A nebulosa de Eta Carina . Um dos maiores espetáculos do céu austral. È uma descoberta original de Lacaille. Mag. 3.0 Dim. 120´x120´. Muito grande. . (O Mapa apresentado como No final de dezembro as 05h00min UT.).








Lac III 7 - (Ngc 3766) Já localizado em Centauro este belo aglomerado galáctico é outra descoberta original do Abade. Conhecido também como O Aglomerado da Pérola. ( The Pearl Cluster). Mag. 5.3 Dim. 12´x12´. (O Mapa apresentado como No final de dezembro as 05h00min UT.).






Lac III 8 – (Ngc 5662) Pequeno aglomerado em Centauro. Também uma descoberta do Abbe. Mag. 5.50 dim. 12´arc. Próximo a Alfa Centauro.

Mapa 05h00min U.T. no inicio de Março.






Lac III 10 (Ngc 6025) Aglomerado aberto na constelação de Triangulo Australis. Pequeno e delicado aglomerado bem ao sul. Mag. 5.10 Dim. 12´x12´.





Lac III 11- Ngc 6397- Aglomerado Glob. Em Ara. Abaixo da cauda do Escorpião Mag. 5.7 . Dim. 27´x 27´ Março 05h00min UT.





Lac III 12 – M seis – O Aglomerado da Borboleta. Na cauda do escorpião. Visível a olho nu como ara enevoada. Bonito. Mag. 4.20 Dim. 20´x20´ Catalogado(?) por Hodierna antes de 1634.


Lac III 13- (M 8)- Em Sagitário. A nebulosa da Lagoa. Um Objeto também descoberto por Hodierna em seu catalogo do sec. XVII. Fecho de Ouro... Um berçário estelar.

Com este post o Nuncius Australis espera que tenha tornado possivel auxiliar  a todos em conhecer este antigo e pouco conhecido catalogo. Todo devotado aos céus do sul.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Os Faróis do Horizonte Sul.

Olhando para o horizonte sul logo ao anoitecer você vai perceber . É verão. Duas estrelas vão dominar o céu. Nos céus do Rio serão quase as únicas que você vai perceber . Na verdade quatro estrelas vão dominar . As duas bem ao Sul são Canopus e Achernar. A leste você vai ver Sirius . E no nosso limite oeste , mais alta no horizonte você vai perceber Fomalhaut.

Fomalhaut é uma estrela relativamente jovem. Só 300 milhões de anos. É a estrela alfa de Pisces Austrinus. Uma estrela solitária como diz seu nome.  Está a 25 anos luz de nós . Uma estrela bem interessante. Possui planetas ao seu redor.

Estará a cerca de 43 graus de altitude e brilhará com magnitude 1.15 . Um pouco acima você poderá observar Jupiter já a oeste . Vai ser mais brilhante que a estrela.

Dominando o sul estará Achernar  ( Alfa Eridanus) . O fim do Rio. Bem alta no horizonte ( 53 graus). É uma estrela 3000 x mais luminosa que o nosso sol e está a cerca de 144 anos luz de nós.  Achernar é uma estrela diferente . com oito x a massa do sol ela gira 15 vezes mais rápido que o nosso sol. Com isto ela é uma estrela altamente " achatada" com sua circunferencia no equador sendo 50 maior que nas latitudes polares.

Mais baixa no horizonte estará Canopus. A segundas estrela mais brilhante do firmamento. Ela brilha cerca de 15.000 mais que o sol. E não está longe . A não mais que  313 anos luz.  Pertenceu a finada constelação de Argos. Uma antiga constelação que remonta a s guerras troianas e era batizada com o nome do navio que levou os argonautas. Hoje em dia é a estrela Alfa de Carina , a quilha. A antiga constelação foi desmantelada em quatro . Sendo: Carina ( a quilha) , Puppis ( a popa), Vela e Pyxis ( o compasso).

No Limite oeste estará brilhando Sirius . A estrela mais brilhante do firmamento. Próxima ela habita a 8.6 anos luz. Ela brilha 25 vezes mais que o sol. E possui uma companheira que é visível em telescópio de grande porte.

Estes são os faróis que vão conduzir o amador no horizonte sul no começo das noites de verão. Especialmente o amador urbano. estes faróis serão visíveis mesmo sob intensa poluição luminosa.

Bons céus.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Collinder 140 ou um objeto Lacaille perdido?

Hoje  , ontem tembém, fiz uma visita a cauda do cão de Orion. Ou ainda  Canis Majoris . O cachorro maior.
Junto a Aludra , estrela de  2.45 mag,  na cauda do cão habita |Cr 140. A entrada do catalogo Collinder carrega a possibilidade (GRANDE)  de ser a entrada II . 2 do catalogo Lacaille . Um dos mais antigos catalogos de nebulosas . E totalmente devotado ao hemisfério sul. Apesar de um erro de quase dois graus  creio que Lacaille descreve este aglomerado estelar em sua entrada. Conhecendo o catalogo ele "seguia essa corrente" . Diversas de sua entradas vem nesse eixo e o aglomerado é bem obvio. Seria o " tuft" na cauda do cão e ele é notado em céus escuros mesmo a  olho nu ( Mag. 3.5). Este é Cr 140 ou lac II 2 . um dos " objetos perdidos " do Catalogo Lacaille...  Acompanhe a maratona Lacaille  que o Nuncius pretende realizar no inicio de março. O sketch é uma referencia . Free handed.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Astrolog 19 de dezembro de 2010

Astrolog 19 e 20 /12/2010


Armação dos Buzios

Seeing:4

Transp. 3

Refletor Newtoniano 150mm Oculares: Super Plossl 10 , 17 e 20 mm + Barlow 2x

NGC 20 70 – Nebulosa da Tarântula. Mag. 8,3. Um dos objetos Lacaille mais difíceis de achar. Um bom exercício. Partindo de Canopus localize Beta Dourado. Centralize esta na buscadora. Pela buscadora navegue até Theta e daí para Épsilon. Continue olhando a buscadora e se dirija para oeste. Você vai perceber a nebulosa na buscadora (9x 50 mm).

Comecei observando com a 20 mm wide Field. A nebulosa claramente visível com “averted” vision. (olhando de rabo de olho). Mostra alguma estrutura e centro claramente estelar. Muitas estrelas no campo. A tal “maior estrela do universo" habita a região. Partimos para 120x. Ela mostra ainda mais estrutura. A 240x ela se mostra claramente. Percebo o porquê do nome. Muitos Loops com “averted”. Apesar da Lua cheia este DSO se mantém como um dos maiores espetáculos do céu Austral... Na verdade acho esta visão mais gratificante que M42 que visitei ontem.

NGC 2362 Tau canis cluster - Mag. 4.10- Dezenas de estrelas organizadas como um cata vento ao redor de Tau canis. Foi uma pedra no sapato do Nuncius durante mais de um ano. Teoricamente um alvo fácil. É realmente espetacular. Contei cerca de 30 estrelas a 240x. Bem pequenino. Não distingui pela buscadora. Tau ofusca as demais. Suporta boa magnificação. Achei-o escaneando a área com 60x. É um belo aglomerado. A área é rica em estrelas o que dificulta localizá-lo.

M41 – De novo, visitando o cão é uma parada obrigatória. Estrela central avermelhada. Mag. 4.50

M47- Embora longe de tudo seja fácil de localizar partindo-se da buscadora a partir de Sirius. É bastante obvio na buscadora. Mag. 4.40

M46- mais discreto. Mag. 6.10. Acho mais bonito que o anterior mais delicado e colorido. Provavelmente mais distante e mais antigo. O Localizei buscando com a 20 mm(60x) a partir de M47. Não o notei na buscadora. Mas creio ser devido à forte lua. São 23h54min.

NGC 3114- Mag. 4.20. Outra jóia da coroa austral. Dezenas de estrelas. Parece-me com uma estrela do mar. Com vários braços. Partindo de Regor fiz um calculo aproximado utilizando à buscadora L.E.D. e comecei um scan com a buscadora. Não foi de primeira. O aglomerado é bem extenso. Desenho a ser renderado. Nunca tinha visitado. Se mais ao norte fosse seria um aglomerado bem conhecido. Use baixa magnificação ( 60x).

São 1:10 . Encerram-se os trabalhos. Foi uma sessão extremamente gratificante. A lua cheia aumentou o desafio. Mas ao contrario do que se diz por aí ela não apagou o céu. Embora fosse sempre presente.

domingo, 19 de dezembro de 2010

Astrolog 18 dezembro de 2010

Observação em condições suburbanas. Geribá, Arraial dos Búzios. Lua quase cheia. Família.


E rendeu!!!.

Continuando na missão Lacaille alinhei o telescópio. Grosso modo. Ficou ‘“bem bom”. O acompanhamento em um eixo. Ou quase...

Com as crianças e precisando alinhavar toda a buscadoras. Lua quase cheia.

Tudo em seu lugar?

Crianças olham a lua.

Júpiter?

As luas e qual são qual no Stellarium,



Começa o jogo. Mantendo a idéia de fazer a maratona Lacaille em março é bom treinar.

O campo ruim e vou à busca de 47 Tucana. Canopus e Achernar de faróis...

2010-12-19

Seeing -3

Trans. - 3

150 mm Newtoniano.

Tuc 47 – NGC 104: 4ª mag.- Aglomerado Glob. Partindo de Achernar localize Beta Tuc. . É uma estrela dupla visível em uma buscadora. Bem separadas. Daí um pulinho e você vai perceber uma estrela diferente. É o aglomerado. Bem grande. Estrelas se resolvendo momentaneamente em sua borda. Aumento a magnificação. (10 mm) e resolvem-se mais estrelas. O bicho é grande. Quase galáctico...


Um dos objetos Lacaille mais difíceis. Em condições cristalinas é objeto de olho nu.

NGC 362- 6.6 mag. Glob. - Aproveitando a proximidade em uma rápida busca pela buscadora se percebe outra “ estrela esfumaçada” . Bem mais tímida. Eu gosto de aproveitar para perceber quão grande é Tuc 47. Ambos evidentemente não possuem a mesma origem...

È um aglomerado modesto. Requer atenção na buscadora. A lua afeta bastante... É mais fácil em noites escuras.



A vida permitindo eu deveria tentar a Tarântula. O Lacaille mais próximo. Mas há outras demandas...



Júpiter com mais mag.. 240x. O seeing não é suficiente, mas por alguns momentos se percebe detalhe. Minha filha acha colorido.

Brincadeiras com a Lua indo até 400x. Parecia o Dead Valley. Cheio de fata Morgana. Miragens...

Pausa... Intervalo para uma festa. Foi uma longa noite. Volto dia 19. E o Catalogo Lacaille...

Por volta de 00h30min horário local.

NGC- 2451 – Mag. 2.8 Grande aglomerado aberto. Facilmente localizável a partir de Naos, em Puppis Sua estrela mais brilhante é bem avermelhada. Cobre uma área superior a da lua cheia. Collinder o classificaria como um aglomerado do tipo Plêiades. Na verdade me lembra muito as Plêiades do sul. Não tão obvio na buscadora....

NGC 2477- Mag. 5.8 Também bem próximo a Naos (Zeta Puppis). Acho que a magnitude é um pouco menor (ele é mais claro) que o indicado. Tem uma forma triangular com suas estrelas mais brilhantes seguindo claramente este padrão. Também seria classificado como do tipo Plêiades por Collinder.
 Um Lacaille dos poucos que faltam
NGC 2547- Mag. 4.7. Aglomerado aberto bem próximo a Regor. Apresenta uma forma de coração bem marcante. Bastante interessante. Surpresa da noite.

Depois fiquei aguardando a nascer de Saturno, mas devido ao adiantado da hora e do grau etílico achei melhor encerrar os trabalhos antes que este estivesse em posição decente para ser observado.

Muitos dos DSO observados foram desenhados. Apresentarei os resultados assim que renderar os mesmos juntos a Photo Shop.



Céus claros a todos...

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Maratona Lacaille

Maratona Lacaille
O Abade Nicholas Louis Lacaille deixou uma herança. Um dos primeiros catálogos de céu profundo da história. E todo ele voltado para o horizonte Sul. Deixou varias constelações em áreas antes desconhecidas (ou muito pouco conhecidas). Ele foi realizado durante uma expedição entre 1751 e 1752 a Africa do Sul. O “Abbe” inclusive passou pelo Rio de janeiro em seu caminho para Cape Town.
O objetivo da Maratona Lacaille é observar todos os 32 objetos considerados entradas validas no Catalogo em questão no intervalo de uma noite.A Maratona só é possivel ao sul do equador. A janela ideal para este desafio será na noite do dia 3 para 4 de março de 2011 com as noites de 5 para 6 e 6 para 7 como backup. Entre 5ª e domingo.
Abaixo apresento a ordem de observação que me parece mais adequada. Há opções...
Os dois últimos alvos são críticos. M55 especialmente.
Em tese todos os objetos são visíveis com um binóculo 10x50 mm.
Eu particularmente acho que você estará mais bem calçado para esta maratona com um telescópio que permita mais aumento que isto. O catalogo foi realizado com lunetas muito pequenas. Céu escuro ajudará muito. Um horizonte Les-Sudeste desimpedido é fundamental; M55 estará a cerca de 28 graus em seu melhor momento. Pouco antes do amanhecer.
Eu dividiria a Maratona em três blocos.
1º Bloco: Até o objeto #9 (Ngc 2547) – Começo por volta das 07h20min. É uma etapa bastante fácil com objetos brilhantes. #1 e #2 são os mais difíceis. Você pode fazer esta etapa bem rápido. Seu limite é por volta de 22h30min. Dá para fazer calmamente.
2º Bloco- mais puxado um pouco. De #10 a #21. M83 pode ser difícil em local com poluição luminosa. Ngc 4833 também. É um objeto bem ao sul e pode ser bem baixo dependendo de onde se observa. Os Aglomerados abertos em Carina são bem fáceis e pode-se ganhar bastante tempo nesta etapa. Limite: 01h30min AM
3º Bloco Agora é o tudo o nada. Os dois últimos aglomerados (M69 e M55) são difíceis. Especialmente M55 que não tem nada muito brilhante por perto. As 04h30min AM estará claro demais...Os outros objetos são bem fáceis . O #22 (Ngc 6124) pode dar um pouco mais de trabalho.
1º -47 Tuc - Ngc 104 (PNM) Inicio: 19:20PM
2º - Nebulosa da Tarântula –NGC 2070 (GNM)
3º Ngc 2516 – Carina (Falso Cruzeiro)
4º IC 2391 – Omicron Velorum (Falso Cruzeiro)
5º Ngc 2477 – Puppis (perto de Naos)
6º Ngc 2546 - Puppis (perto de Naos)
7º IC 2488 - Vela (Falso Cruzeiro)
8º Ngc 3228 – Puppis
9º Ngc 2547 - Vela (horário Limite 22h30min)
10º IC 2602 - Plêiades do Sul
11º Ngc 3532- Carina
12º Ngc 3372 – ETA Carina
13º Ngc 3293- Carina
14º Ngc 2547 – Vela
15º Ngc 4755- Caixa de jóias
16º Ngc 5139 – Omega Centauro
17º M83 Entre Hidra e Centauro. Galáxia
18º Ngc 4833 – Globular em Musca
19º Ngc 3766 – Centauro
20º Ngc 5662- Centauro (Lupus)
21º Ngc 6025- Triangulo Australis (atingindo este ponto por volta de 1:30 AM)
22º Ngc 6124- Norma (Escorpião)
23º Ngc 6242- Escorpião (próximo a Zeta)
24º Ngc 6231 Escorpião (Mais próximo a Zeta ainda.)
25º M4 – Escorpião (Antares)
26º M7- Escorpião
27º M6- Escorpião
28º Ngc 6397 – Globular em Ara
29º M8 – Nebulosa da Lagoa – Sagitário
30º M22 Sagitário
31º M69 Sagitário
32º M55 – Sagitário (acabando até 04h20min AM)
Aqui esta um link para o Catalogo Lacaille l. ( traduzido para o inglês). É uma versão editada em 1755.
http://www.seds.org/messier/xtra/history/lac1755.html

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Vulcanismo em Venus

Pesquisadores da Universidade de Santa Cruz , na California encontraram evidência de vulcões ativos em Venus.
Estudos realizados através de um levantamento em micro ondas, pela sonda Magalhães, revelam canais de lava com temperatauras até 85o C mais quentes que a sua superficie. Isto leva a creer  em um planeta geologicamente ativo. Ainda são necessarios mais estudos mas já foram encontrados alguns locais com estas caracteristicas. Especialmente na região de Bereghinia Planitia no hemisfério norte de Venus.  Há  indicios também no hemisfério sul.
Outros estudos demonstram derrames mais jovens nas encostas de vulcão.
Veja o  Video:
video



Um texto bem legal sobre vulcanismo em venus pode ser encontrado aqui ( em portugues)http://www.apolo11.com/spacenews.php?posic=dat_20100528-075313.inc



sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Teste: Skywatcher Explorer 150 mm. EQ.

Teste: Skywatcher Explorer 150 mm EQ.




A Sky watcher possui uma linha de refletores construídos na China. Explorer. O custo destes telescópios, ainda que sofrendo do “efeito Brasil, é mais acessível. O Armazém do Telescópio importou o modelo em questão e esta oferecendo, com desconto por R$ 1029,00. A vista.

Em uma rápida pesquisa descubro que ele estaria saindo por £ 279,00 na Inglaterra. Cerca de R$ 750,00. É a vida: Tudo no Rio é mais caro que em Londres. Incrível.

De qualquer forma ele se encaixava perfeitamente no que precisava. Um telescópio de tamanho médio, com bom poder de fogo para Deep Skies, e ainda assim possível de transportar em meu carro.


Após alguns e mails e problemas com o pague seguro consegui realizar o pedido.

O telescópio chegou em duas caixas de tamanho substancial. Ambas as caixas duplas (o que ajuda o telescópio sobreviver a repetidas entregas). As caixas em seu interior e todos os componentes estavam em perfeitas condições. A caixa maior e mais leve abriga o tubo ótico, os anéis de fixação e o dove tail.. Tudo embalado em plástico bolha. Veio também uma pequena buscadora de 30 mm.

O resto do telescópio veio em outra caixa, um pouco menor. Continha o tripé, a cabeça equatorial e todos os outros acessórios. Tudo muito bem embalado e sem um arranhão.

Nada na caixa me parecia muito diferente. Assim em cerca de 30 minutos eu estava com o telescópio montado. No meio da sala. Não foi necessário o uso do manual. Mas ele está lá e é bastante completo.

O telescópio montado é bem bonito. O tubo preto e o a cabeça equatorial NG 2-3 branca glossy. Com 1200 mm ele é bem imponente.

O telescópio sofreu algumas alterações já na primeira montagem. A buscadora de 30 mm foi substituída por uma de 9x50mm. Como eu já possuía uma buscadora de 50 mm da própria Sky Watcher não foi preciso sequer trocar a sapata .E foi adaptada também uma buscadora L.E.D.

O tubo ótico é bem realizado com um excelente acabamento. Todo de metal. Toda construção do tubo se mostra sólida e realizada com expertise.

Como já foi dito este tubo tem 1200 mm e isto faz deste telescópio um F/8. Devido a sua distancia e razão focal ele é relativamente mais fácil de colimar que seus companheiros de série mais curtos. Aliás, tirando um pequeno ajuste em um dos parafusos do primário o telescópio chegou muito bem colimado. Caso seja necessário ajustar o espelho secundário será necessário utilizar uma pequena chave Allen, que é suprida pelo fabricante (acompanha o telescópio um completo kit de ferramentas). Os botões para colimação são um pouco duros e serão capazes de derrotar uma criança. A qualidade da ótica se faz notar e ambos os espelhos se encontram em excelente estado . Um anel central no espelho primário, para ajudar na colimação, é facilmente visível. Todas as superfícies óticas são “multi coated”.

O espelho secundário é fixado por uma aranha com quatro pernas e bastante sólida.

O Focalizador, de cremalheira, é bastante suave e agradável de trabalhar. Aceita oculares de 1,25. Acompanha duas oculares. Uma de 25 mm e outra de 10 mm. Ambas super Plossl. Acompanha ainda uma Barlow 2x. Boa qualidade. Aguardem uma avaliação destas em futuro próximo.

Finalmente o Tripé e a cabeça.

A cabeça foi uma grata surpresa. Bem precisa e estável. Com os círculos de Ascensão e declividade quase bons... Muito precisa, permitindo longas escaneadas sem se perder. Possui ainda a possibilidade de uma buscadora polar que pode ser instalada (não acompanha o kit).

O tripé é de alumínio. Apesar disto apresenta alguma solidez quando baixo. Se você tiver que observar de algum local muito desnivelado ou for muito alto o tripé perde um pouco de estabilidade. Eu tenho 1,80 m e só o uso no seu menor tamanho. Se você for muito baixo você vai precisar de um banquinho ou uma pequena escada para utilizar este telescópio. Logo não tenho muito do que reclamar. Há 240x você espera alguns segundos e a imagem já se encontra estável...

Agora vamos observar. Evidentemente que um novo telescópio em casa garante um período longo de tempo nublado. Ainda assim fiz alguns testes. Beta Hidra é uma estrela obscura porem é um bom começo para se atingir 47 Tucana. Percebo muito mais estrelas no campo do que o habitual com o velho “Galileu” (um refrator de 70 mm). Realmente um choque. Muito mais cores e definição. Fiquei brincando com a cabeça com o olho colado a ocular. Fiz um tour inesquecível em volta do pólo celeste sul.

Anéis de refração indicando uma perfeita colimação.

A seguir uma rápida viagem aos aglomerados de Carina. O telescópio mostra seu valor. Visitei apenas os clássicos, lutando contra muita Poluição Luminosa. Do Pior tipo. Um vizinho no prédio da frente em um angulo muito difícil para “bandeirar”. As Plêiades do Sul, Eta Carina e alguns NGC mais brilhantes . Todos se resolveram plenamente e salvaram a noite.


Aguardo condições melhores para apresentar uma avaliação final do bom newtoniano de 150 mm.

Preciso realizar observações de natureza planetária, lunar e especialmente buscar alguns alvos mais difíceis. Quero também ver como resolve estrelas em aglomerados globulares.

Pontos fortes- Cabeça equatorial, tubo ótico e boas oculares.

Pontos fracos- Preço e tripé.

P.S O telescópio obriga certos malabarismos para caber no porta malas. . Estou construindo uma caixa para poder transporta lo no Rack.  O seu montante é muito sólido e permite um acompanhamento muito suave . especialmente em 60x. O alinhamento polar tem sido fácil. A colimação tem se mantido apesar de frequentes viagens. Utilizando 240 x ele apresenta uma qualidade de imagem muito boa.
Outras sessões de observação com o bruto. 
http://nunciusaustralis.blogspot.com/2010/12/observacao-em-condicoes-suburbanas.html

http://nunciusaustralis.blogspot.com/2010/12/astrolog-19-de-dezembro-de-2010.html

http://nunciusaustralis.blogspot.com/2011/08/o-desafio-de-barlow-log-de-18-e-19-de.html

P.S. 2  Depois de mais de um ano de observações o telescópio se comportou de forma exemplar. Avistei diversas galaxias, alguns cometas  diversos aglomerados e nebulosas . Aglomerados globulares se resolveram de diversas formas em função de sua densidade.  Foi ainda equipado com um motor drive de 2 eixos para pratica de astrofotografia e sua cabeça se revelou a altura. Um excelente negócio... realmente não me decepcionou.
Sua montagem "sofre" um pouco com o peso para a pratica da astrofotografia. Mas nada que impossibilite a pratica. Evidentemente ela apresenta certas restrições. Eu nunca consegui fazer exposições com mais de 1 minuto. Em geral trabalho com exposições de 15 a 30 segundos. Creio que se utilizando alguma forma de acompanhamento consiga exposições mais longas . Mas aí o peso de mais um telescópio e cia ltda. sobre a EQ 3-2 vai ser excessivo. Não acredito que se aproveitem mais de 20% das exposições com o uso de acompanhamento. Já utilizando exposições mais curtas e sem acompanhamento tenho tido um aproveitamento entre 70 e 80% das exposições realizadas. Ha diversos posts no arquivo do Blog falando sobre as fotos que realizei com este set up.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Conferencia sobre Astrobiologia na Nasa.

A grande descoberta que era aguardada para o dia 2 de dezembro foi , de certa forma um anticlimax.
A vida extraterrestre era uma bactéria terrena. Foi encontrada em um lago no norte de Califórnia uma Bactéria que substitui o fosforo pelo arsénico em sua bioquímica. Toda e qualquer vida conhecida anteriormente , tinha como limitante a presença de fósforo. Toda criatura conhecida utiliza fosforo na construção de seu DNA. Agora não é mais. Agora se inclui nos elementos que são fundamentais para a construção da vida a possibilidade de se utilizar arsenico em vez de fosforo. Mas com relação a vida extra terrestre ficou para próxima. É bom lembrar que foi encontrado um ser microscópico que é diferente dos demais. Isto abre possibilidades para nichos que podem ser encontrados em outros planetas. Embora o nicho desta bactéria seja super especifico. Ou seja será mais dificil encontrar um ser assim que um baseado em carbono...  De qualquer forma é uma grande descoberta. Mais importante para a bio quimica , que realmente dá um salto. Já com relação a astrobiologia... Na verdade seu papel foi mais financeiro já Programa de astrobiologia da NASA foi quem financiou a pesquisa.

Participaram da conferencia:

- Mary Voytek, director, Astrobiology Program, NASA Headquarters, Washington


- Felisa Wolfe-Simon, NASA astrobiology research fellow, U.S. Geological Survey, Menlo Park, Calif.

- Pamela Conrad, astrobiologist, NASA's Goddard Space Flight Center, Greenbelt, Md.

- Steven Benner, distinguished fellow, Foundation for Applied Molecular Evolution, Gainesville, Fla.

- James Elser, professor, Arizona State University, Tempe


http://www.nasa.gov/multimedia/nasatv/index.html        Aqui esta a palestra...

O Catalogo J.E.S.S. - Os Escritos de José Eustaquio

Os escritos de José Eustaquio


Este capitulo trata dos poucos extratos deixados por José Eustaquio escritos por seu próprio punho. A qualidade do manuscrito que a mim chegou era deplorável. Algumas paginas em pedaços e amareladas e que nitidamente viveram muito tempo. É evidente que parte do seu tempo de vida se deu sob a água. Foram meses de esforço e busco aqui reproduzir os pedaços do texto que me chegou as mãos.

“... são fundamentais que se observem. Estes objetos seriam as formas estelares fundamentais e que acredito os cientistas naturais devem conhecer todos estes objetos para que possam compreender as marés celestiais. (José sempre acreditou que o céu era como o mar e suas analogias invariavelmente são relacionadas a temas marinhos)

Em primeiro lugar eu tenho que enumerar algumas das mais belas Nebulosae. (Como já contei José utilizava a nomenclatura utilizada por Hodierna, um obscuro astrônomo italiano que ele não poderia jamais ter tido acesso. tanto a figura humana como aos escritos.)

Nebulosae Fundamentalis:

J 1 - Observada a 2ª hora do dia 25 novembro- Alt72º 32´-

Esta é a mais bela. Facilmente percebe-se sua majestade acima do cinturão do caçador. Posso perceber estrelas que brotam em seu coração. Em noites como essa conto quatro estrelas. A nebulosidade é muito brilhante e se espalha por todo meu campo. A região próxima e recoberta com Luminosae (Aglomerados abertos na terminologia misteriosamente comum a Hodierna e José Eustaquio). Parecem nascer da grande nuvem.

J2- Observada a 1ª hora do dia 23 Junho - Rumo 180º Alt. 88º

Difícil descrever a beleza desta Nebulosae muito brilhante a percebo por sobre o arqueiro centralizado na grande corrente. A nebulosidade é claramente visível nas noites sem lua mesmo com a vista desarmada. Posso resolver muitas estrelas. É evidentemente uma formação importante. Parece uma lagoa de águas esbranquiçadas. Recorda-me a área em Orion que descrevi primavera passada , batizada como J1 . Evidentemente trata-se de formações da mesma espécie.

J3 - Observada a 3ª hora do dia 23 janeiro Rumo 180º alt. 28º

Nebulosae muito grande. Diferente das Demais que conheço. Abraça a forte estrela de brilho extremamente variável no Navio. Cobre uma área muito grande e percebo Luminosae na região. Objeto diferente.

J4- Observada a 1ª hora do dia 02 de fevereiro Alt.: 44º 50´

Bela Nebulosae. Com aspecto bipolar me parece possuir uma estrela central. Não posso garantir. Parece-me um tipo semelhante a J3. Localizada Junto às fracas estrelas da Raposa.

Estas são as Nebulosae que considero importantes para que os cientistas naturais estudem. Representam as diferentes estruturas que se escondem em tais nuvens e que se apresentam dentro da Grande Corrente. “

Este enigmático texto me levou a longas pesquisas e demonstram a erudição que Dom João duvidava existir em José Eustaquio do Nascimento e Islas.

Em primeiro lugar é fundamental entender como José localizava os objetos. Por suas anotações ele determinava sempre a altitude do objeto no momento que este cruza o meridiano local. Assim seu rumo é sempre ou Norte ou Sul (180º). No caso de J1 e J4 ele sequer dá indicação azimutal.

Ele omite o ano em suas anotações o que torna minha vida um pouco mais difícil. Tudo indica que isto foi escrito pelos fins dos anos 1700s. Eu gostaria de acreditar que em 1778. Isto ajudaria muito na minha cronologia.

J1 não deixa duvidas. Trata-se de M42 e sabemos pelos escritos de Dom João que era um objeto querido por José. José descreve claramente o Trapézio que ilumina o seu interior. Seu telescópio assim se revela muito bom. E ele pula vários séculos a supor que ali é uma espécie de berçário estelar. A nebulosa de Orion não foi descrita por Ptolomeu ou Al Sufi. Mesmo Galileu, que descreve o Trapézio, não fala a respeito da nebulosa propriamente dita. Provavelmente devido a estreito campo de seus telescópios. Hoje em dia credita-se seu primeiro registro a Nicolas-Claude Fabri de Peiresc no mesmo ano (1610). Posteriormente ela foi redescoberta de forma independente diversas vezes. Aí incluindo Huygens em 1656 e novamente Messier em 1659 quando publica um belo desenho da nebulosa.

J2 também é facilmente identificável. José novamente tem uma percepção a frente de seu tempo. M8, a Nebulosa da lagoa é como ele se tornou conhecida. Em Sagitário. A Nebulosa da Lagoa foi primeiro registrada pelo companheiro impossível de José :Giovanni Hodierna a catalogou em 1654. Posteriormente foi catalogada por La Gentil em 1747. Lacaille a redescobriu e acrescentou a seu catalogo entre 1751/1752. E por fim Messier a inclui em seu catalogo na noite de 23 de maio do ano de 1764. José é de grande precisão em suas plotagens pelo céu. Na verdade muito mais que Dom João. Suas posições apresentam erros de menos de 10´ de arco a maioria das vezes. Por isto posso arriscar com segurança os anos 1750/60/70 para estes escritos. Este 30 anos foram anos dourados para astronomia amadora sendo o período que surgem à maioria dos catálogos clássicos de objetos de céu profundo.

Chegamos a J3. É a grande Nebulosa de Eta Carina. E José novamente acerta em tudo que diz. Ela é completamente diferente das demais. E a grande estrela variável é uma variável explosiva. Na verdade o que José via era diferente do que conheço. Eta Carina era muito mais brilhante na época do que é hoje. O primeiro registro conhecido da nebulosa na região é de Lacaille durante sua viagem entre 1751/52.

Este é um objeto que pode ter sido uma descoberta original de José Eustaquio.

Finalmente J4. Sem a menor duvida trata-se da Nebulosa do Halteres. Registrada no catalogo Messier como M27. Foi a primeira nebulosa planetária registrada no catalogo francês. Assim como no catalogo J.E.S.S. A posição dada por José permite que determinemos com bastante precisão o ano de seu registro. 1772. Messier a registrou em 1764. O que não impede de José já a ter visto anteriormente.

Outro detalhe importante é como ele caracteriza a sua categoria de Nebulosae apenas incluindo estruturas de aspecto nebuloso que se encontram dentro do disco galáctico. Podemos notar que ele percebe claramente a diferença geográfica destas estruturas para outras estruturas nebulosas que não se encontram no disco. Ai ele não inclui nenhum Globular ou galáxia. Estes normalmente avistados fora do eixo da galáxia, ou em maior numero em direção ao centro (globulares especialmente). Não posso garantir se ele percebia que se tratava de estruturas distintas de fato ou se é apenas devido a sua distribuição espacial que ele as diferencia. De qualquer forma estas estruturas só seriam de fato compreendidas muito tempo depois e ele se mostra novamente a frente de seu tempo tendo insights, de uma forma orgânica, muito inspirados.