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quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

M 41- O Aglomerado de Aristóteles

M 41 - O Aglomerado de Aristóteles


            Registros demonstram que M 41 (Ngc 2287) foi descoberto muito antes  do telescópio. De fato , o cientista grego conhecido como Aristóteles foi o primeiro a noticiar o que atualmente chamamos de M 41. Em 325 A.C. Ele simplesmente o descreveu como uma "região nebulosa". Embora hajam controvérsias eu acredito que ele realmente avistou o aglomerado. Isto faria de M 41 o objeto mais tênue conhecido nos céus durante a antiguidade clássica.  Depois , antes de 1654, Giovanni Batista Hodierna foi o primeiro astrônomo a cataloga-lo. O aglomerado se torna popular depois de ser redescoberto por Flamsteed em 1702 e Messier o acrescentou a sua lista em 16 de Janeiro de 1795.
            M 41 reúne cerca de uma centena de estrelas às empacotando em uma área de aproximadamente 25 anos luz de diâmetro.
            Este post nasceu de um passeio pela tal da "Cloud". Localizei varias fotos perdidas no hoje quase extinto PICASA. E entre elas estava M 41. A foto foi realizada com minha falecida câmera. Uma Canon 350D.
            Recentemente li  um interessante artigo na "Sky and Telescope" onde em um daqueles quadros informativos Tony Flanders nos conta que aglomerados abertos não são apenas como doces para os olhos ; você pode dizer  muito sobre eles apenas através de sua aparência através de telescópios. Mesmo que modestos. Obviamente aglomerados mais próximos são mais fáceis de se resolver porque suas estrelas individuais se apresentam mais brilhantes. As Plêiades são um exemplo óbvio. Aglomerados jovens como M 35 apresentam estrelas variando muito em brilho. Estrelas jovens e maciças brilham muito e azuladas, fumando seu hidrogênio rapidamente. Em aglomerados mais maduros as estrelas mais brilhantes já queimaram até a ultima ponta e assim os membros restantes apresentam uma aparência mais uniforme. Estrelas muito maciças tendem a migrar para o interior dos aglomerados conforme estes envelhecem. Freqüentemente estas estrelas se apresentam com avermelhadas porque já atingiram sua fase de gigante vermelha tendo assim deixado a sequência principal em seu caminho para anã branca. Mais em evolução estelar aqui. Desta forma é comum localizarmos estrelas avermelhadas próximas ao centro de aglomerados abertos.  
             E assim chegamos de novo em M 41. Diversas de suas estrelas são ou laranjas ou gigantes vermelhas. Aí se inclui a chamativa estrela vermelha bem central e claramente percebida em nossa foto. Esta estrela é uma estrela gigante do tipo espectral K cerca de 700 vezes mais brilhante que o nosso sol. Ela é facilmente percebida com quase qualquer aparelho.
            A observação da foto me levou a devanear. Querendo me enganar e posar de cientista sério tirei certas conclusões e devido ao colorido da paisagem imaginei que M41 fosse um aglomerado de meia idade. Mas para jovem que para velho. E também nem tão longe nem tão perto. Tudo isto devido ao que eu já sabia sobre as Plêiades. Estas seriam mais jovens e muito mais próximas . Meus palpites se mostraram corretos.
            M 41 tem algo ( segundo "cientistas de verdade") entre 190 e 240 milhões de anos. Desta forma suas estrelas mais maciças já tiveram tempo para ficarem mais "coloridas". Mas ainda apresentar uma bela diversidade de brilhos e magnitudes...
            E a 2.300 anos luz de nós se encontra quase seis vezes mais distantes que as Plêiades. 
            E agora vamos ao que interessa. Como ver M 41. E tirar suas conclusões sozinho. Como falou Burnham : "Nada como ver o Original ( ou mais ou menos isto...)".

            M 41 se localiza há um pouco mais de meio campo de buscadora (10x50) ao sul de Sirius , a estrela mais brilhante do firmamento. Imagine um triangulo retângulo formado por Sirius , Mirzam e um ponto invisível ao sul de Sirius e olhe na buscadora. M 41 e procure por uma pequena nuvem de luz. M41.
            Como os relatos de Aristóteles nos dizem esta nuvem de luz é percebida mesmo a olho nu de locais escuros.  Eu sei que é possível. Mas o local tem que ser escuro mesmo.
            Através de binóculos e buscadoras eu percebo algumas dezenas de estrelas "flicando" em meio a nevoa da região.
            M 41 é uma paisagem sensacional mesmo em pequenos telescópios. M 41 é um dos mais coloridos aglomerados que conheço , mas a sensibilidade a cor varia de pessoa para pessoas.  Um truque : desfoque levemente o telescópio e tente perceber mais cores. 

             Com 38´ arc seg. ela cabe certinho na minha ocular 17 mm. 

            Através do "Newton" ( meu refletor de 150 mm) M 41 é um dos aglomerados abertos que mais gosto. Um dos favoritos do Verão.  Estará disponível a noite toda...

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

O Deep Sky Stacker e a Vingaça da Tarântula

      
     

          No ultimo post falei sobre a Nebulosa da Tarântula. Ngc 2070. Tratando-se de um DSO extra galáctico não é exatamente  um objeto simples de ser fotografado. Especialmente em condições de forte poluição luminosa como no "Stonehenge dos Pobres". Nada como os aglomerados abertos tão mais comuns no Catalogo Lacaille e consequentemente a especialidade desta casa. A Tarantula foi um dos últimos membros do catalogo a ser registrado...
            Caso queira saber mais sobre os DSO´S da Grande Nuvem de Magalhães clique aqui. Ou aqui.http://www.mnassa.org.za/html/Feb2011/2011MNASSA..70..Feb..29.pdf
            Este post é dedicado para aqueles que se interessam pela tal da  astro fotografia e desejam tomar pé sobre as capacidades do Deep Sky Stacker  e  seus poderes para revelar o universo.  Pressupõe também algum conhecimento prévio sobre a matéria...
            Como ha séculos não fotografava DSO algum e muito menos "brincava de laboratorista" com meus programas cometi uma injustiça.
            Todas as fotos apresentadas no ultimo post foram "empilhadas" (stacking) com o auxilio do Rot and Stack (RnS).
            E  falei que o Deep Sky Stacker (DSS) é um programa cheio de manias.
            Não chega a ser mentira. Mas em nome da justiça não posso deixar de dizer que apesar disto ele é um programa muito mais poderoso que o RnS.
            O RnS é um programa amigo de  iniciantes e de preguiçosos. Mesmo sendo necessário um numero muito maior de "clicks" de mouse para determinar os pontos de alinhamento em cada um dos frames a serem alinhados ( ele possue a opção de determinar de forma automática os pontos de alinhamento, mas não recomendo...). No caso de nosso post anterior significaram 140 clicks para 70 frames. Mas ele permite que a preguiça se apresente de outra forma. Sendo um programa bom para os iniciante ele irá empilhar qualquer coisa que você ofereça pontos para sua orientação ( são os 140 "clicks" que falei). Fora isto ele dispensa foco, alinhamento polar , dark , flats e cia LTDA. no momento da captura de suas imagens. Um programam bom para preguiçosos e sua interface é a prova de imbecis...
            Abaixo alguns dos resultados obtidos com ele. Percebam que a foto do modo Sort parece boa. Mas é também atingida por muita "pirotecnia"... De qualquer forma aí estão todos os 70 frames que mandei empilhar. Obediente...
Este é o resultado de horas de processamento posterior ao stacking feito no RnS
               
Modo Mean do RnS. O mais reaalista...

Modo Sort

               Já o DSS demanda e oferece mais finesse.
            No post passado eu me encontrava por demais afoito em fotografar algo e ver resultados. Desta forma o DSS simplesmente me ignorou e apesar das tentativas os resultados finais não apresentavam nenhuma imagem sequer semelhante a Ngc 2070.
            Logo apelei para o RnS e consegui minhas fotos e meu post ha tanto sonhado. Os últimos meses foram uma maratona de trabalho e o Blog assim como os céus se encontravam bem abandonados.
            Não podia me deixar ser vencido pela mãe de todos os vicios e assim com mais calma resolvi obter uma foto digna da Tarântula utilizando o DSS como laboratório.
            A primeira coisa foi obter Dark Frames. 25 deles. E também 15 flat frames.  
            È claro que como quase tudo aqui no Nuncius Australis eles não foram obtidos pelo método indicado pela mídia especializada e nem pelo bom senso. Os Black frames foram simplesmente obtido com a tampa da lente montada em minha 50 mm. E os flats foram feitos embrulhando a câmera com sua 50 mm em uma camisa branca e apontando para uma lampada Day Light que mora em meu quarto...
            O DSS possui varias opções de calibragem para realizar o stacking no menu "Parâmetros de Integração". Em primeiro lugar eu alterei o método pelo qual o programa determina o resultado final do processo de empilhamento ( stacking). Mudei a configuração do modo standart para o modo de Intersecção. Este era mais apropriado para as fotos que obtive e com um acompanhamento dos mais medíocres. Desta forma garantiria que alguma coisa estivesse alinhada com a mesma coisa na coleção de frames bem diferentes uns dos outros.

            Depois alterei o  o modo Light de Kappa Sigma para Proporção. Não sei o porque . Foi mais um sentimento e o fato de que na véspera utilizara o Kappa Sigma com resultados nefastos...
            Por fim  fui no menu "registrar configurações". E na aba " Avançado" baixei a detecção threshold  da estrela para apenas 4%. Mais que isto e o DSS não aceitava empilhar nada... Cheio de frescura.

            Com isto e sem medo de ser feliz mandei empilhar tudo... 69 frames de light,25 darks e 15 flats.
            Depois de muito minutos de processamento o DSS fabricou um Master dark e um master flat os quais foram subtraídos dos 28 melhores light frames escolhidos por ele e me deu um resultado que se não bom pelo menos aceitável.
            Depois disto esta foto ainda visitou o Photo Shop CS5 e o Noiseware.  Não utilizei o IRIS , mas ele seria capaz de gerar um fundo negro para foto e disfarçar a vinhetagem. Para saber mais sobre estes e outros programas clique aqui.
            Depois disto tentei varias outras combinações mas a única que apresentou um resultado ( ainda que pífio) aceitável foi utilizando no modo Light dos parâmetros de integração o método High Entropy. Mas como podem perceber o  ruído foi parar na lua.. Com o Auxilio do Photoshop e do Noiseware as coisas ficaram um pouco melhor. Neste método o DSS só empilhou 19 dos 69 light frames...




           E com o Kappa Sigma os resultados , mesmo utilizando Darks e Flats , foram abaixo da critica. Melhor dizendo : da autocritica...
           
            Os resultados obtidos com o DSS são sempre mais naturais que os obtidos com os algoritmos dos Rns. O Modo mean do RnS é o que mais se assemelha aos resultados do DSS.
             Acredito que se possuísse um equipamento melhor ( uma cabeça equatorial mais solida e precisa...) eu usaria mais o DSS. Mas no meu humilde set up o RnS se encaixa melhor.  É fundamental lembrar que ambos tem uma relação de dependência com outros programas. O Photoshop (ou o Lightroom ou o GIMP e etc...)  é fundamental para o tratamento após o processo de stacking. 
            
Ngc 2070 - 28 de 69 light frames de 10 segundos de exposição+ 16 darks+ 12 flats- ASA3200 empilhados no DSS. Posteriormente a imagem foi submetida ao Photo shop CS 5 e o Noiseware.
Canon T3 + Newtoniano 1200mm 
P.S.      Combatendo o maior de todos os vícios em doses homeopáticas levei o produto final mais bem acabado obtido com o DSS e que já havia visitado o PhotoShop e O Noiseware algumas vezes para fazer um tour pelo IRIS. Este é um progrma bastante  complexo mas que realiza diversos milagres. Depois de conseguir um fundo sintético para a nossa foto de Ngc 2070 ele conseguiu eliminar a vinheta e uma parte do ruido pré-existente. Mais uma visita ao Photoshop e é este o resultado final da peregrinação de nosso light frames. ( acrescente isto aos 160.000 anos luz que estes já haviam viajado e tenha uma ideia de quão longa é a jornada deste fótons até você...)          


Com visita ao Noiseware...

Sem visita ao Noiseware...

         Ainda acho que o DSS vai requerer mais estudo e prática de minha parte para que se torne a primeira opção aqui pelo Nuncius Australis. Mas os resultados são muito mais naturais e a razão sinal é incrementada de uma forma muito mais bem feita que no RnS. 

                .




terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Ngc 2070 : A Nebulosa da Tarântula e Outros Amigos

            

             Após muito tempo sem poder me dedicar aos meus tão amados D.S.O´s (um anglicismo e uma sigla: Deep Sky Objects) eu finalmente tinha a chance de tentar a sorte com um dos poucos objetos descobertos pelo meu tão caro Abbe Lacaille que eu ainda não tinha fotografado. Ngc  2070. A Nebulosa da Tarântula. 

            Localizada na Grande Nuvem de Magalhães, uma das galáxias mais próximas de nós no grupo Local, ela é um objeto fácil de perceber-se de locais mais escuros que o Rio de Janeiro. Na verdade a GNM é facilmente percebida a olho nu de ambientes rurais. Sua presença tão óbvia que seus registros remontam a Américo Vespúcio no ano de 1503. Mas os registros de Magalhães em sua saga pelos mares austrais levaram a melhor e este acabou por ter seu nome eternizado no firmamento. Vespúcio por sua vez desbancou Colombo e teve seu nome eternizado em forma de continente... 
           
            Ngc 2070 é apenas um dos DSO´s ao alcance de meu querido " Newton" (meu refletor de 150mm) que habitam a GNM.                             . 
           
      Mas como continuo com o "Projeto Lacaille" e assim devo fotografar todos os membros do catalogo realizado pelo abade francês em seu levantamento dos céus do sul realizado entre 1751 e 1752 na Cidade do Cabo "ela" (A Tarântula) seria meu alvo primordial na caçada desta noite.
           
             De lambuja eu levaria para casa mais algumas presas intergalácticas. 

            A Nebulosa da Tarântula é extremamente brilhante (em céus muito escuros e por volta do sec.XVI) e devido a isto foi inicialmente confundida por uma estrela.. Daí seu nome 30 Dourado. Evidentemente que a GNM mora dentro das fronteiras da constelação de Dourado.
            Também conhecida com Bennet 35 a grande Nebulosa da Tarântula dispensa comentários sobre a razão deste apelido.                        . 

            Tarântula é na verdade uma coleção de DSO´s com Ngc 2070 sendo o coração da mesma. No centro da mesma reside o aglomerado R 136 onde foram recentemente descobertas algumas das estrelas mais maciças conhecidas no universo. Algumas (suspeita-se...) com mais de 200 massas solares               . 
           
            Situada aproximadamente a 190.000 AL de nós a nebulosa se espalha por entre 600 e 700 anos luz em diâmetro. Reza a lenda que fosse ela tão próxima quanto a Nebulosa de Órion  lançaria sombras na noite...                       
           
            A nebulosa lança longos braços de gentil nebulosidade rasgada por canais mais escuros e um núcleo extremamente brilhante ( R 136). 
             É uma região HII e uma das áreas de mais intensa formação estelar conhecidas no universo próximo.

            Foi nas bordas da Tarântula que explodiu a Supernova 1987. Foi uma explosão titânica e deixou provavelmente uma estrela de Nêutrons de recordação... A estrela Sanduleak -69o 202 brilhava com magnitude 11.7 antes da explosão. Explodiu com a força de de 100.000.000 de sóis e brilhou 2000 x mais forte que antes. Ainda que atualmente brilhando 1.000.000 de vezes menos que em sua glória ela começa a apresentar ecos de luz que começam a mostrar seus arredores... 
           
            Star hopping no Rio de Janeiro não é para impacientes ou fracos de espírito. Em geral você tem que começar bem longe de seu destino o e contar com a pratica e a sorte para achar seu destino final. Não poucas vezes mirei no que vi e acertei no que não queria ver.                                    . 
           

           

           
              Meu caminho até Ngc 2070 começa em Canopus. ( a Carina) e com esta centralizada na ocular eu calculo um pulo de cerca de 13 graus para o Oeste e assim espero estar por perto de b Dourado. Após diversas tentativas acredito estar com a segunda estrela centrada na Buscadora. E assim partir par a ocular. Estou usando minha Plossl 25 mm e depois de um ensaio realizado no Stellarium calculo os movimentos que me levarão até a Tarântula... Ela não será visível pela buscadora em tempos de obras faraônicas ao pé do Observatório mais urbano do mundo... Antes das obras do metro eu conseguia percebe-la ainda que de forma discreta em minha 9x50 mm. 
            Claro que a lua já vai em seu primeiro quarto. Afinal porque tentar o que é fácil...
            Partindo de b  devo localizar d Dourado e desta dar um pequeno salto para Ngc 2070. Utilizando-se uma ocular com cerca de 1 grau de campo de visão a tarefa exige um pouco de paciência e concentração. Após algumas tentativas , sempre voltando até b eu acabo com a Tarântula centralizada e com diversos DSO´s extra galácticos escondidos no campo. Nenhum deles é tão evidente quanto 2070 e só percebo (com visão periférica) Ngc 2100. Os outros DSO vistos nas fotos são fruto da sensibilidade do sensor e de muito pós processamento das imagens obtidas          
70 EXP DE +- 10 SEG - Canon T3 refletor 150 mm. Rot and Stack + PS CS 5+ Noiseware - imagem ampliada e cropada posteriormente no PhotoShop
. 
           
            Realizei cerca de 70 exposições com diferentes tempos e diferentes asas. O grosso do caldo consiste de exposições de 10 segundos com asa 3200. Foram utilizadas também no empilhamento cerca de 12 fotos feitas com exposições de 15 segundos e ainda algumas de 10 seg. e 15 segundos com asa 6400. Deste samba do crioulo doido obtive melhores resultados utilizando o Rot and Stack que o Deep Sky Stacker. As fotos sofrem de um foco bastante soft e o RnS é mais "pé de boi" e lida melhor com as capturas desastradas que são uma marca registrada no Nuncius Australis.  A foto que abre este post foi realizada depois do post original.  E é resultado de algumas dezenas de exposições de 20 seg. com asa 3200. Fotos realizadas em Búzios em condições bem melhores que as originais. O DSS , o FITSWORK  e o Photoshop foram utilizados no pós-processamento

            .           Astro fotografia é a melhor diversão e alinhamento polar é algo muito chato de fazer-se a sério.                       . 
           
            Foi  ainda utilizado o Photoshop CS 5                  .                   
           
            As fotos demonstram a riqueza que a GNM apresenta facilmente em ambientes bem escuros. Sempre me recordo de um passeio pela mesma que fiz de um lugar longe e escuro. E utilizando apenas meuquerido "Pau de dar em doido " (meu binoculo 15x70mm). 

            Existem diversos DSO´s no campo desta foto.        
Os DSO´s destacados (além de 2070) são apenas os mais faceis de serem visualizados . Mesmo assim não espere moleza em areas urbanas.
      . 

           
            Ngc 2100 é um aglomerado aberto. Tem cerca de 15 milhões de anos e esta localizada a aproximadamente 163.000 AL. Embora seu formato 
as vezes nos confunda com um globular trata-se de um aglomerado aberto bastante denso 

Ngc 2074 é um aglomerado aberto com nebulosidade envolvida. É uma descoberta de John Herschel 
(O Filho).                              . 

            E por fim 2080 é outra região H II de intensa formação estelar também conhecida como Nebulosa cabeça de fantasma ( Ghost Head Nebula). Outra descoberta do filho de Sir William Herschel. 
           
            Na foto ainda podemos perceber de forma discreta diversas outras formações. E apesar dos pesares confirma-se a minha suspeita de que só não vê nada no céu quem não tenta.

               Alguns devaneios:
- Nunca pendure o controle ou o batery pack do motor drive na sua cabeça equatorial.
-O Auto dark frame do RnS é verde...
-O uso de um dark frame capturado por você melhora o resultado. Mas ele tem que ser salvo em PNG.
- O Deep Sky Stacker é um programa cheio de manias...  



Abaixo varias fotos e diferentes resultados....
Modo Mean do RnS

1 exp. 15 segundos asa 3200

Modo sort do RnS com auto dark frame
           

                         

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Cinema, Astrofotografia e Vênus

            
           
 As ultimas doze semanas foram uma experiência sensorial para o Nuncius Australis.
                            
             Também tempos de muito trabalho e estresse.

         E  ainda uma aula de fotografia.  Junto a um premiado fotógrafo americano (de origem filipina) revelaram-se dias difíceis em diversos sentidos. Há começar por jornadas de mais de 15 horas de trabalho. Seis dias por semana. Não fosse só isto já bastante duro o meu querido e cosmopolita chefe possui um curiosos sistema de trabalho. 

            Ele possui um sistema de rádio o qual ele distribui para alguns " cúmplices" no set. Este rádio tem um código de uso bastante específico. Basicamente ele fala e você esta autorizado a dizer somente o essencial. Evidentemente ele mantém seu rádio " aberto" o tempo todo. Assim você vai escutar tudo que ele diz  (e pensa ...) para a 1a assistente de direção, os operadores de câmera, os 1o´s assistentes de câmera, o D.I.T (Digital Image Technician) e eu. Nove candidatos o insanidade. Cada um com seus problemas mas sabendo do problema de todos. 
Mad Man´s Making Machine (MMMM)


            E escutando o chefe bufando... 

           Este bufar a maior parte do tempo era causado pela pouca experiência da dupla de meninos e irmãos que foram nomeados diretores de nosso filme.

             Ambos pouco queridos por todos e chamados ao final da missão de Ass and Hole, the Animalist Brother´s 
Ass and Hole dirigindo...

           
            Ele também tinha como vítimas favoritas a assistente de direção e o operador da 3a câmera.
           
            Isto tudo no meu ouvido esquerdo. No ouvido direito  outro rádio com o qual me comunicava com o resto da equipe. Incluindo aí meus companheiros da elétrica e maquinaria. Bem como a tal da produção.
             
          Apesar do cenário a experiência foi um work shop de fotografia impagável (melhor ainda: me pagaram para isto). 



            Mas a chances de se praticar qualquer coisa semelhante a astronomia eram remotas. Na verdade a única vez que olhei para o firmamento foi após uma virada de noite em um campo de futebol. 
Órion, ao amanhecer, vem voltando por aí e o verão esta chegando ... 
           
            Anotei em algum lugar que as luzes que eu montava não deviam ser notadas nas paredes, que a compensação (também chamado de fill light...) deve sempre vir ir do mesmo lado que o sol ou o ataque (também chamado de key light.) E noções de exposição e composição.
Substituindo a noite pelo dia...

Going big...

Sem luz nas paredes... Usando saias e "baffles"

           
            Para coroar o evento o filme foi realizado com uma nova câmera.

'           A "R.E.D Dragon". Uma câmera digital com um novo sensor capaz de" filmar o invisível"... 
"Riding the Dragon..."
     

            Existem apenas quatro delas. Três estavam em nosso set.
           
            Nosso diretor de fotografia e querido chefinho é realmente F... 

            A quem interessar possa: Foi resolvido que as sombras ainda se apresentam melhor na concorrente (ALEXA),


            Depois de tanta cinematografia eu queria relaxar. Astro fotografia... 

            Entre o final desta longa maratona e o inicio de um pequeno curta da serie "Rio Eu te Amo" eu finalmente me aproximei do "Newton" (meu refletor de 150 mm). 

            Como a tal da fotografia tem significado muito esforço nestes últimos tempos eu não queria nada muito difícil. 
           
            Me esquecendo que a rotina junto ao telescópio, geralmente, significa muito suor nas noites quentes do verão eu resolvi escolher um alvo que dispensaria alinhamento polar e menos ainda uma caça atenta junto à buscadora. Vênus se pondo pouco após o astro rei seria uma vítima óbvia. 

            Antes de começar a suar alinhando a buscadora do Newtoniano há meses esquecido eu resolvi brincar mais um pouco de cinema (maldita cachaça...) e assim fiz algumas fotos que poderiam ser chamadas de "Establishing Shots". Nelas podemos localizar a paisagem por cima de onde a Deusa do Amor iria se apresentar. E também mostrar as condições extremas do observatório mais urbano que conheço... 

            Diversas combinações de velocidades de obturação e de números f´s levam a resultados diferentes e ainda mais diferentes com um passeio pela 18-55mm (Lente zoom). 
           
            Agora já com o telescópio apontado para vítima podemos perceber como se desenvolve o processo fotográfico aqui no Nuncius Australis.
           
            Ao contrário de quando a trabalho a idéia aqui é lazer.   As coisas são sempre "meio nas coxas". Por tentativa e erro descubro que o "Newton" funciona melhor quando rebaixado a meros 50 mm de diâmetro. Desta forma ele se torna uma lente com 1200 m e f 24. Podemos perceber que nas primeiras fotos do dia não percebemos nada.   
Superexposto...


            Super exposto seria uma delicadeza e não seria exatamente o adjetivo correto. 
Sendo um objeto muito brilhante o foco não chega a ser difícil e após o "rebaixamento" do refletor consigo algumas imagens que sem nenhum detalhe apresentam bem a fase em que se encontra Vênus. Dificilmente conseguirei algo além disso. Vênus não é exatamente um planeta com muito detalhes. Menos ainda sendo fotografado com DSLR´s.  Espero um dia me dedicar a fotografia planetária utilizando web cams e o Registax. Parece-me ser o melhor custo-beneficio disponível para a atual tecnologia.



Comparando exposições. Sem o uso de Barlow. A esquerda o obturador esta regulado para 1/640 e a Direita 1/320.

           
            Mas seguindo minha metodologia cinematográfica não poderia impedir o próximo passo. Fechar ainda mais o plano. Percebam a diferença de "tamanho" de nossa "estrela".   


Sem Barlow a esquerda. O tamanho "dobra".

           
            Agora com uma Barlow 2x calçada no telescópio eu utilizo novamente os 150 mm de diâmetro de minha "lente" e a promovo a uma 2400 mm. Após novas experiências com o obturador eu consigo uma exposição ao menos decente e faço diversas fotos. 

            Para encerrar a missão brinco de D.I.T. (Digital Image Technician) e "estico" um pouco as fotos no Photoshop e empilho as 6 melhores no Rot and Stack. Vale pela brincadeira. As fotos continuam apenas apresentando a fase do planeta e um certo desvio para o laranja, ou talvez magenta, na borda  exterior do planeta.  Abaixo as versões Máximo , Médio e Minimo do RnS.



            Logicamente que as "Cinzas deVênus" continuam sem nenhum registro fotográfico. Mas o registro das fases de Vênus foram um daqueles " grandes passos para a humanidade"....
           
            Claro que com tanta "cinematografia" eu não poderia deixar de realizar mais algumas coberturas da paisagem utilizando uma velha 75-300 mm. Todas fora do foco e tremidas. Como não poderia deixar de ser. Lazer...
           
            Astro fotografia é a maior diversão. Cinema dá muito trabalho...


( Este texto é baseado em fatos reais. Alguns nomes e locais foram alterados para preservar a identidade  dos envolvidos...) 

domingo, 22 de setembro de 2013

A Lua , Vênus , Piratas Liberianos e a Astronomia do Cotidiano

                

               Operando com bandeira Liberiana e engajado em um projeto cinematográfico que apresenta um mecenas peruano, um diretor de fotografia oscarizado de origem filipina, diretores americanos muito confusos  e contando a história de uma lenda futebolística brasileira tenho estado com pouquíssimas chances de me dedicar à meu tão caro hobby.
                 E assim aproveitando uma posição favorável da lua em minha janela no "Stonehenge do Pobres" fiz uma rápida sessão fotográfica e posteriormente ( com o auxilio do Virtual Moon Atlas) localizei as formações mais evidentes em Selene. Astronomia na sua mais pura forma.  Eainda uma forma de me solidarizar com meu querido Uncle Rod e seu projeto de fotografar as 300 formações mais significativas de nosso satélite. 
                Fotografar a Lua é sempre divertido e muito menos complexo que DSO´s. Utilizando rápidas exposições ela dispensa alinhamento polar e outra dores de cabeça. E permite que utilize minha Barlow para ajudar na montagem em foco direto. Desta forma meu telescópio simula uma Lente de 2400 mm e F16. 

                   Fiz também algumas fotos com a uma zoom 75-300 mm. A lua é um alvo ao alcance de quase qualquer equipamento e cada um apresenta características distintas de Selene.

                Ainda na seara da "Astronomia do Cotidiano" que é tão cara ao Nuncius Australis  aproveitei uma missão paterna ( buscar minha filha de uma excursão do colégio) para realizar algumas fotos a partir do " Parque dos Patins"  situado na Lagoa Rodrigo de Freitas.
Vênus com Saturno abaixo e à direita


                Sem maiores pretensões fiz diversas imagens de Vênus utilizando tanto minha 17-70 mm como a 75-300 mm. Enquanto a primeira permite algumas composições de caráter mais " artístico" a segunda surpreende e permita ( com auxilio de zoom digital...) perceber a fase que se encontra o planeta mais quente do sistema solar.  Com pouco mais de 60% de seu disco iluminado ele se apresenta de forma oblonga e inequívoca para a pequena tele objetiva.  Chego a perceber alguns padrões na cobertura de nuvens do acalorado planeta. Pode-se ainda perceber Saturno como uma apagada estrela abaixo de Vênus na imagem mais aberta...   
                    
                Outra incrível constatação é de como Vênus suporta níveis absurdos de poluição luminosa e chega a competir com postes  e suas luzes cheias de sódio... Percebo também que a série EF de lentes da Canon  ( a mais "tabajara" delas...) apresenta forte aberração cromática...
                     Antes do fim  faço uma visita ao Cristo com seus braços abertos sobre a Guanabara. E também ao espelho d´água da lagoa e seus reflexos.






                 Acho que a primavera será dedicada a tarefas mais mundanas que à astronomia.  Mas espero poder aproveitar os céus escuros de uma  Bauru cenográfica onde estarei filmando ao longo do próximo mês.   Afinal o céu também se apresenta para ospiratas liberianos